A história sem um fim
Ela
esperava que até o momento as amarras já tivessem desprendido. Ansiava pelo
instante em que o coração batesse sossegado, sem o peso deixado por aquele por
quem morria. Ansiava, desejava, esperava e pedia, aos quatro ventos ou até
mesmo a nenhum, coragem para amar novamente, pois assim, sabia ela, que quando
amasse estaria, enfim, livre. Viu dias transformados em meses e su'alma cansada
sentia como se há anos estivesse abandonada. Conseguiu se apegar ao amor
paterno por simplesmente querer ter amor em sua vida. Teve medo da dor não
passar nunca, do jeito ser existir e só, sozinha e as dores. Mas o tempo é
companheiro de perdas, ele sabe o tempo que cada órgão precisa pra se recuperar
e apesar do coração dizer que estava pronto, a mente tão mais sóbria precisava
descansar. Estava cansada de pensar em saídas para discussões despropositadas e
justificativas fracas pra ficar mesmo sendo tão enxotada, ela precisava de
tempo e o tempo à deu tempo. Quando não mais esperava, porque é assim que acontece,
quando não mais queria nada, porque em paz enfim estava, um sorriso surgiu.
Tímido. Que sorriso calado, ela pesou. Ora, que queria? um daquele escandaloso?
Não. Ela provou do escândalo e a partir daí soube que era sóbria como a noite
estrelada, seus sentimentos não tinham nenhuma nuvem a protegê-los, nada de carapaças,
cobria-se com um véu tão fino que ele viu sua alma antes mesmo que lhe falasse
com os olhos. Eles sorriram, falaram e por fim calaram sobre peso de seus
corpos. Não tinha que ser nas pressas, mas ela temia que sua ausência fosse
eterna e que o tempo não tivesse mais tempo para dar. Contudo a calmaria
sobreveio do abraço apertado, do beijo demorado e foi provado que aquele
temeroso afastamento seria mais breve que podiam imaginar. Sem saber ambos
ansiavam pelo reencontro, aquele cujo o silêncio do sorriso dele faria compasso
com a luz nos olhos dela, o silêncio que só ela sentia e a luz que apenas ele
via. Não sendo amor raro sem suas diferenças, ele calmaria ela tempestade, ele
gentileza ela nem tantas palavras gentis sabia, mas ele insistia que sua alma
era linda e ela por fim sorria. Assim se encontraram por acaso da vida ou
talvez o tempo cansado de esperar deu aquele empurrão no destino. Não
entendiam, só sabiam que apesar do jeito ogro dela e do amor que emanava dele,
ali havia algo pelo que lutar e lutariam.

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