A história sem um fim

Foto: Marks Cruz
Ela esperava que até o momento as amarras já tivessem desprendido. Ansiava pelo instante em que o coração batesse sossegado, sem o peso deixado por aquele por quem morria. Ansiava, desejava, esperava e pedia, aos quatro ventos ou até mesmo a nenhum, coragem para amar novamente, pois assim, sabia ela, que quando amasse estaria, enfim, livre. Viu dias transformados em meses e su'alma cansada sentia como se há anos estivesse abandonada. Conseguiu se apegar ao amor paterno por simplesmente querer ter amor em sua vida. Teve medo da dor não passar nunca, do jeito ser existir e só, sozinha e as dores. Mas o tempo é companheiro de perdas, ele sabe o tempo que cada órgão precisa pra se recuperar e apesar do coração dizer que estava pronto, a mente tão mais sóbria precisava descansar. Estava cansada de pensar em saídas para discussões despropositadas e justificativas fracas pra ficar mesmo sendo tão enxotada, ela precisava de tempo e o tempo à deu tempo. Quando não mais esperava, porque é assim que acontece, quando não mais queria nada, porque em paz enfim estava, um sorriso surgiu. Tímido. Que sorriso calado, ela pesou. Ora, que queria? um daquele escandaloso? Não. Ela provou do escândalo e a partir daí soube que era sóbria como a noite estrelada, seus sentimentos não tinham nenhuma nuvem a protegê-los, nada de carapaças, cobria-se com um véu tão fino que ele viu sua alma antes mesmo que lhe falasse com os olhos. Eles sorriram, falaram e por fim calaram sobre peso de seus corpos. Não tinha que ser nas pressas, mas ela temia que sua ausência fosse eterna e que o tempo não tivesse mais tempo para dar. Contudo a calmaria sobreveio do abraço apertado, do beijo demorado e foi provado que aquele temeroso afastamento seria mais breve que podiam imaginar. Sem saber ambos ansiavam pelo reencontro, aquele cujo o silêncio do sorriso dele faria compasso com a luz nos olhos dela, o silêncio que só ela sentia e a luz que apenas ele via. Não sendo amor raro sem suas diferenças, ele calmaria ela tempestade, ele gentileza ela nem tantas palavras gentis sabia, mas ele insistia que sua alma era linda e ela por fim sorria. Assim se encontraram por acaso da vida ou talvez o tempo cansado de esperar deu aquele empurrão no destino. Não entendiam, só sabiam que apesar do jeito ogro dela e do amor que emanava dele, ali havia algo pelo que lutar e lutariam.

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